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Medicamentos após infarto: por que não posso parar?

Dr. Bruno Mahler Mioto· Cardiologista CRM 112007-SP
4 de abril de 2026

Muitos pacientes interrompem os medicamentos após se sentirem bem. Entenda por que isso é perigoso e quais são os remédios essenciais após um infarto.

Uma das situações mais comuns no consultório cardiológico é o paciente que interrompeu os medicamentos "porque estava se sentindo bem". Essa decisão, embora compreensível do ponto de vista do paciente, pode ter consequências graves.

Após um infarto agudo do miocárdio, o tratamento medicamentoso não serve apenas para tratar sintomas — ele serve para prevenir um novo infarto. E o risco de um segundo evento é significativamente maior do que o de um primeiro.

Por que o risco continua após o infarto?

O infarto ocorre quando uma placa aterosclerótica se rompe e forma um coágulo que obstrui uma artéria coronária. Mas o infarto não "cura" a aterosclerose — as outras artérias continuam com placas, e a artéria tratada pode desenvolver novos problemas.

Além disso, o coração que sofreu um infarto tem uma cicatriz, que pode predispor a arritmias e insuficiência cardíaca.

Quais são os medicamentos essenciais?

Antiagregantes plaquetários (aspirina e/ou clopidogrel/ticagrelor):
Impede que as plaquetas se agreguem e formem novos coágulos. A dupla antiagregação (dois medicamentos) é geralmente mantida por 12 meses após o infarto, e a aspirina é mantida indefinidamente.

Um estudo importante, o HOST-EXAM, com seguimento de 10 anos, avaliou qual antiagregante é mais eficaz a longo prazo após a angioplastia — e os resultados orientam as decisões clínicas atuais.

Estatinas (para reduzir o LDL):
Após um infarto, a meta de LDL é abaixo de 55 mg/dL. As estatinas são fundamentais para atingir essa meta e estabilizar as placas ateroscleróticas. Devem ser mantidas indefinidamente.

Beta-bloqueadores:
Reduzem a frequência cardíaca e a pressão arterial, diminuindo o trabalho do coração. Também têm efeito protetor contra arritmias. Estudos recentes, como o SMART-DECISION (publicado no NEJM em 2026), trouxeram novas evidências sobre por quanto tempo mantê-los após o infarto.

IECA ou BRA (inibidores do sistema renina-angiotensina):
Protegem o coração e os rins, especialmente em pacientes com função cardíaca reduzida após o infarto.

O que fazer se tiver efeitos colaterais?

Se você está tendo dificuldades com algum medicamento, não interrompa por conta própria. Converse com seu cardiologista. Na maioria dos casos, é possível ajustar a dose, trocar por outro medicamento da mesma classe ou encontrar estratégias para minimizar os efeitos indesejados.

Conclusão

Os medicamentos após o infarto são parte essencial do tratamento e da prevenção de novos eventos. Senti-se bem é ótimo — e é exatamente o objetivo do tratamento. Mas isso não significa que o risco desapareceu. Mantenha o acompanhamento cardiológico regular e nunca interrompa medicações sem orientação médica.

Este artigo é informativo e não substitui a consulta médica.

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